quinta-feira, 19 de maio de 2011

Trupe Artemanha ameaçada de perder espaço da Escola...

Ocupação e Resistência: Trupe Artemanha é ameaçada de perder espaço, recém ocupado para criação da Escola Popular de Teatro.
Desde o início do ano instalados no espaço Nathalia Rosemburg (espaço público concedido pela subprefeitura), o grupo, juntamente com a subprefeitura, procurava espaço que atendesse ás necessidades de estrutura de uma escola.
O espaço da rua Aroldo de Azevedo, 20, na mesma quadra do espaço Nathalia Rosemburg, foi prédio da subprefeitura durante muito tempo, depois serviu de sede para o Instituto Oca e mais pra frente Uboé. Depois  do isso o local ficou abandona até que há cerca de um ano, quando a subprefeitura pegou fogo, serviu de abrigo para o CRAS/Campo Limpo, que pertence a Secretaria de Assistência Social, que se instalou no local por apenas 45 dias, se mudando para prédio próximo particular e deixando no espaço muitos equipamentos e patrimônios públicos já sem uso.
Neste curto tempo em que estiveram no local, o CRAS não realizou melhorias para o prédio que estava com problemas de esgoto, água, luz, cupim e até sofrendo saques e arrombamentos constantemente. O problema de água e luz foi resolvido através de um “gato” e sem nenhuma estrutura, já que as fiações estavam condenadas, correndo risco até de incêndio no local.
Há cerca de dois meses, quando soubemos da contemplação do Programa de Fomento ao teatro para a cidade de São Paulo, que viabiliza a criação da Escola, tivemos uma reunião com o subprefeito do Campo Limpo e o supervisor de Cultura, que alegaram não saber com quem estava as chaves do local e também não ter encontrado nenhum processo jurídico em andamento sobre cessão de uso prédio. Em reunião, acordamos que a Trupe faria no espaço, a Escola e iniciamos a parte legal de documentação para cessão de uso do espaço.
Como os trâmites burocráticos são lentos, mesmo sem a cessão oficial, trocamos as fechaduras e entramos no espaço para dar início aos reparos. O que encontramos foi um prédio completamente abandonado, sendo destruído por cupins, com o esgoto entupido causando enorme mau cheiro, focos de dengue e de bichos (ao lado da creche!), nenhuma estrutura de banheiros (todos arrebentados), com problemas de fiação, lixo e uma dívida de luz e água ainda da época da Uboé.
Há vinte dias, os dez integrantes da Trupe realizam os reparos de pintura, limpeza, higienização, organização do patrimônio abandonado em uma única sala, compra de equipamentos e de vasos sanitários, tintas, fios... toda preparação para colocar a escola em funcionamento.
Neste momento, o CRAS reivindica a posse do espaço, alegando invasão da trupe (que rompeu as fechaduras) e inclusive acusando os integrantes de furto do patrimônio público, devido ao sumiço de equipamentos como um microondas, que já não estavam no local quando a Trupe entrou, provavelmente por conta dos saques e arrombamentos ocorridos durante o abandono.
A subprefeitura apóia nossa permanência no local, mas está marcada reunião com representantes do CRAS, da trupe e da subprefeitura para semana que vem, quando as questões serão esclarecidas.
Importante salientar que por toda cidade de São Paulo, são inúmeros os prédios, casas, fábricas antigas, espaços públicos que estão completamente abandonados e sem uso e que poderiam servir para sedes de grupos, criação de centros culturais, projetos sociais... trabalhos de relevância para a comunidade e que trariam inúmeras transformações sociais, políticas e culturais, no local e nas proximidades.
Há já alguns grupos em diferentes regiões que realizam trabalhos incríveis com a comunidade, a partir do teatro e da arte, em espaços antes ociosos e que foram ocupados e a história é sempre a mesma. Assim que o trabalho se inicia, o espaço abandona vira motivo de disputa por diversos tipos de poderes, que até então não se mobilizavam para qualquer espécie de melhoria ou utilização da área.
Fiquemos atentos: de maneira geral, pode-se definir espaço público em um espaço central que dá realidade material e simbólica a cidade, ou seja, entendendo-o como um território específico dotado de suas próprias marcas e signos de delimitação e que é pensado como plural e condensador do vínculo entre a sociedade, o território e a política de forma democrática.
Também são espaços de livre acessibilidade, de uso comum dos cidadãos e de coesão da sociedade, apresentando como características o fato de ser geral (refere-se a cidade como uma totalidade), coletivo (para uso e desfrute de todos os habitantes), comum (pertence aos cidadãos e são regidos pelo direito público) e representam uma hierarquia no ordenamento urbano (corresponde a interesses superiores por representar o bem comum). Ainda, o espaço público constitui a cidade tanto em sua dimensão físico-espacial quanto sociocultural, sendo que os processos que ali se desenvolvem são capazes de dar sentido à vida pública dos cidadãos.
                É dever e direito nosso intervir em situações em que o Espaço Público está sendo destruído e onde inúmeras possibilidades de trocas e de experiências riquíssimas: culturais, sociais, de lazer, que poderiam representar forte potencial transformador nas comunidades, são desperdiçadas e ignoradas.
               

Para mais informações sobre o trabalho da Trupe Artemanha e a Escola Popular de Teatro: www.escolacita.blogspot.com ou www.trupeartemanha.com.br



Matéria e Entrevista feitos pela Cooperativa Paulista de Teatro!

Atuante nos bairros da zona sul de São Paulo mais afastados do centro, a Trupe Artemanha, que completa 15 anos em 2011, realiza um sonho ao lançar, com apoio da 18ª edição do Fomento Municipal ao Teatro em São Paulo, a Escola Popular de Teatro – CITA (Centro de Investigação Teatral Artemanha), com ensino gratuito.
O curso, criado após longa pesquisa do coletivo junto a Escola Livre de Teatro de Santo André (ELT) e o Ói Nóis Aqui Traveiz, terá inicialmente 16 vagas e está com inscrições, até 7 de maio (prorrogadas até dia 10), abertas. As aulas se relacionam com as pesquisas do grupo, que perpassam a dança, a história brasileira, as culturas popular e periférica e a relação com a cidade. Serão ministradas no bairro de Campo Limpo (saiba como se inscrever).
A CPT conversou, por e-mail, com Luciano Santiago, um dos integrantes da Trupe para saber mais sobre a iniciativa.
CPT: Poderiam contar um pouco da história do grupo?
Luciano Santiago: A Trupe Artemanha vem desenvolvendo seu projeto artístico desde 1996, realizando importante movimento teatral na zona sul de São Paulo, com apresentações de espetáculos, organização de mostras, palestras e oficinas abertas ao público em geral, aos artistas e aos estudantes.
O grupo procura trazer para cena temas que dialoguem com elementos circenses, danças dramáticas e ritmos populares, com o principal objetivo de apresentar espetáculos que provoquem exercícios de reflexão e discussão social. Neste contexto o processo de construção dos espetáculos do Artemanha se aproxima de acontecimentos históricos expressivos e do contato com elementos componentes da Metrópole de São Paulo. Por meio do diálogo com grupos sociais localizados na periferia e da análise dos diferentes usos que estes grupos imprimem ao espaço urbano, seja para a circulação ou para a ocupação cotidiana, estes elementos revelam-se como argumentos para o desenvolvimento da pesquisa estética do grupo.
CPT: Como nasceu a ideia de criar a Escola Popular de Teatro?
Santiago:
 A Trupe Artemanha já realizava oficinas livres. O grupo tem buscado ampliar essa experiência pedagógica, inclusive visitando e buscando aspectos similares em importantes escolas de formação teatral como a Escola Livre de Teatro de Santo André. A Escola CITA surge baseada nesse intercâmbio com o Ói Nóis Aqui Traveiz e na trajetória do grupo de adquirir vivência a partir das experiências de oficinas livres, das pesquisas realizadas e de treinamentos que sempre fizeram parte dos projetos propostos pelo grupo para editais públicos.
Acreditamos que este seja um dos principais projetos em seus 15 anos, capaz de sustentar e aliar o pensamento reflexivo, o potencial artístico e a continuidade das ações na região que o grupo desenvolve. Criando assim, um bloco que envolva outros segmentos culturais, estimule o surgimento de novos grupos teatrais e contribua para a difusão do teatro-político de resistência entre os moradores dos bairros da cidade de São Paulo.
CPT: Como foi composta a grade curricular e qual o objetivo do grupo ao construí-la nesse formato?
Santiago: A programação das aulas foi debatida exaustivamente dentro do grupo. Realizamos consultas com professores, pesquisadores que vivenciam e ajudam nos diversos processos de formação autoral, como o professor Antônio Rogério Toscano, que foi coordenador da Escola Livre de Teatro de Santo André, Tania Farias do  Ói Nóis Aqui Traveiz, Tiche Viana (Barracão Teatro), Renato Ferracini (Teatro Lume) e o professor Alexandre Mate.
A partir destas proposições, que foram aliadas à necessidade de jovens artistas da região de atuação em grupo, chegou-se a um processo intensivo de treinamentos que reúne diversos elementos de estudos para o teatro popular: Danças Dramáticas Brasileiras, Musicalização com diferentes instrumentos musicais, o circo, a interpretação partindo da máscara neutra e expressiva, da teoria e estética teatral grotesca.
Todos os elementos serão direcionados para formação do ator-pesquisador em Teatro Popular, que tomará contato, por exemplo, com as Danças Dramáticas Brasileiras, tendo como proposta investigar minuciosamente a mecânica da dança, do pulso e do ritmo, evoluções coreográficas e de suas diferentes qualidades de energia. Trabalhando com o estudo do Cavalo Marinho da Zona da Mata Norte de Pernambuco, o Batuque Paulista-SP, o Samba de Parelha de Mussuca-SE e o Frevo-PE, treinamentos que serão ministrados por Alício Amaral e Juliana Pardo.
CPT: Qual é a ponte que a escola faz com o Hip Hop, uma vez que ensinamentos sobre esta cultura também estão inclusos na grade?
Santiago:
 Mais importante do que falar de um projeto artístico, é preciso comentar sobre a resistência que vem acontecendo em bairros da periferia de São Paulo, com coletivos teatrais que desenvolvem trabalhos de provocação política, em regiões bastante afastadas do grande centro financeiro e de mandonismo. A Trupe Artemanha, também mergulhada nessa realidade, propõe o Núcleo de Pesquisa Hip Hop dentro da programação de aulas da Escola-CITA.
O grupo sempre viveu próximo ao movimento Hip Hop, que se desenvolveu principalmente no bairro Capão Redondo, criando motivação extra para propor o Núcleo, possibilitando dialogar ainda mais com a dança de rua, com os squashes das pickup’s dos DJs, com os microfones afiados dos MCs e na plástica do Grafite, elementos totalmente caracterizados como arte popular urbana. Além de trazer nas letras do Rap uma contestação política, o Hip hop está entre os fenômenos culturais que mais interessam ao grupo, tendo ligação com o novo projeto de pesquisa da Trupe Artemanha que é de estudar o Bairro do Capão Redondo, que em 2012 completará 100 anos.
CPT: A ideia é ser um curso profissionalizante?
Santiago:
 A Escola-CITA não terá característica de formação profissionalizante, se perpetuará com métodos de pesquisas experimentais, buscando espaço para trocas artísticas e políticas, uma escola-mutirão que será construída por todos os envolvidos.
A pedagogia da escola, também será criada a partir de reuniões, debates e vivências entre mestres e aprendizes, relacionando os elementos estéticos com a formação específica de cada turma. Isso significa que a escola já nasce com essa necessidade de continuar existindo como Centro de Referência e Pesquisa Teatral, por diversas questões que ultrapassam valores de investimentos financeiros.
O Núcleo Artístico da Trupe Artemanha continuará pesquisando e entrando em contato com Escolas que se aproximam da Pedagogia da Autonomia e do Processo de Gestão Coletiva, promovendo intercâmbios com mestres, pesquisadores e grupos que mantém escolas de formação semelhantes à proposta da Escola-CITA.

terça-feira, 17 de maio de 2011

PRIMEIRA TURMA DA ESCOLA-CITA


Depois de ter recebido 55 inscrições para a Primeira Turma da Escola Popular de Teatro - CITA, a Trupe Artemanha divulga o resultado de 17 selecionados que passaram pelas 3 Etapas do processo de seleção:

- Adonai Bezerra da Silva
- Ana Paula Pereira Gomes
- Andressa Lima de Souza
- Bruna Reccia
- Carla Franco Massa
- Daniela Oliveira Guimarães
- Edson Muniz Gonzales
- Gabriel Gomes da Silva Santos
- Janaina Mauricia Pereira
- João Luiz Pereira do Couto
- José Gelson da Silva Filho
- Kenny Rogers de Oliveira Queiroz
- Mauricio dos Santos Silva
- Paloma Xavier da Silva
- Priscila de Fátima Jerônimo
- Thaiene Salemi Machado
- Vanessa Cristina Teixeira dos Santos

Agradecemos a todos que se inscreveram e convidamos para participar da Festa de Celebração que será no próximo dia 28 de maio de 2011, a partir das 18h00.

As pessoas selecionadas deverão fazer matrícula até o próximo dia 26 de maio, no seguinte local:

Rua Aroldo de Azevedo, 20 (Praça do Campo Limpo) - De terça à sexta dás 9h00 às 12h00.

Matrícula:

A) A apresentação da documentação solicitada após a seleção, para regulamentação da matrícula:
- 1 Fotocópia (Xerox) dos seguintes documentos: R.G, CPF e Comprovante de Residência;
- 1 Foto 3x4.


Núcleo de Coordenação da ESCOLA-CITA


REALIZAÇÃO:



COPATROCÍNIO:
















segunda-feira, 18 de abril de 2011

ABERTAS AS INSCRIÇÕES PARA ESCOLA POPULAR DE TEATRO

EDITAL DE SELEÇÃO PARA ESCOLA POPULAR DE TEATRO – CITA – 2011/2012
 
A Trupe Artemanha de Investigação Urbana, núcleo da Cooperativa Paulista de Teatro,
com Copatrocínio da 18ª Edição do Programa de Fomento ao Teatro para a cidade de
São Paulo, torna público o Edital de Seleção de Aprendizes para a PRIMEIRA TURMA da
Escola Popular de Teatro – CITA (Centro de Investigação Teatral Artemanha), no
período de inscrições de 18 de abril a 10 de maio de 2011.
 
1. DO OBJETO
Constitui objeto do presente edital, a seleção de 16 aprendizes para formação da
Primeira Turma da Escola Popular de Teatro – CITA Edição 2011/2012. Cada aprendiz
tomará contato com treinamentos que irão compor o Projeto de Formação do Atorpesquisador
em Teatro Popular, durante 15 meses de aulas que se iniciarão no dia 07
de junho de 2011, no seguinte local: Espaço Artemanha de Teatro – Rua Haroldo de
Azevedo nº 20, Bairro Campo Limpo, São Paulo – SP.
 
2. DOS OBJETIVOS DO PROJETO
A Trupe Artemanha acredita que esse seja um dos principais projetos em seus 15 anos,
capaz de sustentar e aliar o pensamento reflexivo, o potencial artístico e a
continuidade de suas ações na região em que o grupo desenvolve seu trabalho.
Criando assim, um bloco que envolva outros segmentos culturais, que estimule o
surgimento de novos grupos teatrais e que contribua para a difusão do teatro popular
entre os moradores dos bairros da cidade de São Paulo.
O CITA disponibilizará 16 vagas para pessoas iniciantes ou não, que já tomaram
contato de alguma forma com o teatro, dança, música, artes plásticas, circo e
literatura, com idade a partir dos 18 anos, sem restrições ao local de residência,
possibilitando receber interessados de todas as regiões da cidade de São Paulo,
inclusive de outros municípios.
Os 16 aprendizes serão selecionados por uma banca formada pelos professores da
Escola-CITA e o núcleo artístico da Trupe Artemanha, que construirão os critérios
necessários para composição da primeira turma do projeto de formação.
O estudante também poderá se inscrever no Núcleo de Interpretação e Encenação e
no Núcleo de Pesquisa Hip Hop, núcleos que farão parte do processo de pesquisa
proposto pelo Projeto da Trupe Artemanha.
Com esse objetivo que naturalmente se liga ao conjunto de ações da Trupe, que é a
criação do Núcleo de Pesquisa em Teatro Popular tendo como ponto norteador as suas
pesquisas para o Teatro de Rua, é possível construir uma rede que reúna um processo
de formação, a continuidade do processo de pesquisa teatral e a instrumentalização
do ator-pesquisador (agente cultural político).
 
3. DAS INSCRIÇÕES
Os interessados em participar do processo de seleção da Escola – CITA, deverão enviar
para os dois emails: producaoartemanha@yahoo.com.br // producaoartemanha@gmail.com, até a meia-noite do dia 10 de
maio de 2011, os seguintes dados:
A) Nome Completo;
B) Data de Nascimento e Idade;
C) Número do RG e CPF;
D) Endereço Completo;
E) Contatos: Telefones, Celulares e Email;
F) Descrição sobre atividades artísticas que desenvolve ou já desenvolveu;
G) Carta de Interesse.
Os dados do candidato deverão estar compactados em um único arquivo em extensão
Word (.doc) ou PDF.
A falta de qualquer uma das informações dos itens A. ao G. e/ou envio após a data
limite do período de inscrições, acarretará na desclassificação automática do
candidato.
 
4. DO CRONOGRAMA DE SELEÇÃO:
A seleção acontecerá em três etapas:
- Inscrições: O envio de todos os dados no período de 18 de abril a 10 de maio;
- Vivência: Aula prática no dia 12 de maio, das 9h00 às 13h00, com os professores da
Escola-CITA;
- Entrevistas: Entrevista no dia 14 de maio, das 10h00 as 13h00, com o Núcleo Artístico
da Trupe Artemanha.
Resultado: Os nomes dos selecionados serão publicados no dia 18 de maio nos
seguintes endereços eletrônicos:
www.trupeartemanha.com.br
www.escolacita.blogspot.com
Recepção: Celebração para recepcionar os selecionados no dia 28 de maio, a partir das
18h00.
 
5. DAS AULAS (CRONOGRAMA E CARGA HORÁRIA)
As aulas da Escola-CITA acontecerão de terças-feiras às sextas-feiras, dás 9h00 às
13h00.
Núcleo de Formação do Ator-pesquisador em Teatro Popular (15 meses de aula)
Terças:
1º Semestre - Danças Dramáticas Brasileiras - 9h00 às 13h00 (6 meses)
2º Semestre - Treinamento Voz e Canto - 9h00 às 11h00 / Treinamento Circense -
11h00 às 13h00 (6 meses)
Quartas:
Musicalização 1: Sopros Metais / Percussão - 9h00 às 11h00 (12 meses)
Musicalização 2: Acordeon / Instrumentos de cordas - 11h00 às 13h00 (12 meses)
Quintas:
Teoria/Estética Teatral (direcionado para o Núcleo de Pesquisa em Teatro Popular da
Trupe Artemanha) - (12 meses)
Sextas:
Interpretação (Máscara Neutra e Expressiva / Bufão) – 9h00 às 13h00 (12 meses)
Montagem de Exercícios nos últimos três meses das aulas – Terças as Sextas – 9h00
às 13h00.
 
6. DO APRENDIZ
É de responsabilidade do aprendiz:
A) A apresentação da documentação solicitada após a seleção, para regulamentação
da matrícula.
- 1 Fotocópia (Xerox) dos seguintes documentos: R.G, CPF e Comprovante de
Residência;
- 1 Foto 3x4.
B) A regularidade (freqüência/pontualidade) durante todo calendário letivo.
Os casos de faltas/ausências serão discutidos entre a equipe docente e o núcleo
artístico da Trupe Artemanha, que poderão deliberar sobre a saída de aprendizes e
sobre a abertura de vagas para a lista de suplência da seleção.
 
7. DO CITA
É de responsabilidade da escola:
A) Fornecer estrutura física (salas, espaço) para realização das aulas.
B) Disponibilizar instrumentos musicais para as aulas de musicalização e demais
estrutura.
C) Fornecer certificado aos aprendizes, ao final dos quinze meses.
 

8. DAS CONSIDERAÇÕES FINAIS
A) Não caberá recurso sobre o resultado da seleção.
B) Os casos omissos relativos ao presente edital serão resolvidos pelo o Núcleo
Artístico Responsável da Trupe Artemanha.
 
Coordenação
Escola Popular de Teatro – CITA (Centro de Investigação Teatral Artemanha).

segunda-feira, 11 de abril de 2011

Interpretação: Da Máscara ao Bufão

  Por Camila Bolaffi – Cuca
  
O trabalho se inicia com a máscara neutra e com o silêncio. O ator se depara consigo próprio e com jogo o teatral da forma mais simples e direta.
A partir da eliminação do rosto, da expressão facial e da palavra serão pesquisadas ações e a clareza das intenções. Buscando essencialmente a presença do ator e a boa ocupação do espaço que o cerca.
Para isso será realizado um intenso trabalho de treinamento físico dividido em três partes:
Reeducação do Movimento: Onde desenvolveremos a consciência de cada parte do corpo ossos, músculos e pele para em seguida compreender e reestruturar o gesto e a postura ampliando o material expressivo de cada ator.

Análise do Movimento: a partir da imitação, da repetição e do estudo dos movimentos humanos, dos elementos da natureza, dos animais, dos materiais etc. serão ampliados o repertorio físico, a precisão, clareza, ação, a percepção e a boa utilização do espaço.

A Mascara Neutra:
Através de exercícios simples de improvisação cada ator terá de se deparar com seus limites e dificuldades buscando precisão e clareza nas suas ações. No jogo de se experimentar ele oferecerá para seus companheiros um arsenal de acertos e erros para serem copiados e experimentados. No movimento de fazer e assistir serão aproximados às sensações  da realidade, exercitando a precisão da intenção, a decupagem do gesto e a clareza das idéias.

A máscara neutra representa um ser genérico, universal, sem memória ou história. O ator lida com a essência do ser, com o homem dos homens a mulher das mulheres.
Se coloca numa situação de descoberta, de disponibilidade. Ela permite o olhar, o escutar, o tocar as coisas elementares de modo fresco, como da primeira vez.
Com a máscara neutra o rosto do ator some e olharemos seu corpo se espessando. O olhar é a máscara e o rosto é o corpo. Todo o movimento se revela de maneira forte e presente.

 O trabalho sobre a natureza humana, nesta situação silenciosa permite encontrar os momentos onde a palavra ainda não surgiu.  Eles se calam para que compreendam  o que está por atrás (embaixo) da palavra. O trabalho antes da palavra permite que esta surja do silêncio.

Portanto a seqüência do nosso trabalho será a máscara expressiva, a princípio ainda a máscara inteira e, portanto o silêncio. Para em seguida darmos vazão a palavra de forma mais consciente e precisa. Ainda sobre os pilares da reeducação do movimento e da análise do movimento será dado inicio ao estudo do jogo e da improvisação passando pelos personagens da Comedia Dell´arte finalizando o possesso com o bufão.


Danças Tradicionais Brasileiras

Alício Amaral e Juliana Pardo
(Cia. Mundu Rodá de Teatro Físico e Dança)

Desenvolver durante seis meses por meio das oficinas o estudo prático e teórico de algumas Danças Dramáticas Brasileiras como o Cavalo Marinho da Zona da Mata Norte de Pernambuco, o Batuque Paulista-SP, o Samba de Parelha de Mussuca-SE e o Frevo-PE., tendo seus princípios como base para o treinamento do ator-bailarino.
Tanto em nível individual quanto coletivo, visamos: a ética nas relações de trabalho e criação; dinâmica de grupo; trabalho colaborativo; trabalho com diferentes níveis de atenção simultaneamente; criação de diferentes qualidades de energia e administração do fluxo das mesmas no tempo, no corpo e no espaço; impulsos como geradores de ações físicas; presença cênica; disponibilidade física; ritmo; precisão; foco; objetivo; condicionamento físico; musicalização; condicionamento físico; variações de dinâmicas no tempo e no espaço; conhecimento da poesia popular dos folguedos; danças e evoluções coreográficas; e consciência corporal.
             No nosso trabalho buscamos sensibilizar e desenvolver as potencialidades dos alunos através da cultura popular brasileira interligada à técnicas e jogos de teatro e dança já codificados, apontando para uma fusão entre a tradição e a inovação, o teatro e a dança popular brasileira, a poesia e a música.

O curso é programado da seguinte forma:

No primeiro trimestre o aluno vivenciará uma série de exercícios elaborados para sua preparação física e energética, e conscientização corporal. Jogos teatrais pré-expressivos, e principalmente o estudo prático e teórico de algumas Danças Tradicionais Brasileiras, além de sensibilização musical e instrumentalização do corpo através do vocabulário de passos e diferentes qualidades de energia destas danças. Chamamos de “preparação técnica”, o “antes”, o que o ator-aprendiz não revela em cena, a elaboração de ferramentas para o repertório de trabalho individual e grupal, ainda antecedendo o trabalho de criação artística.

No segundo trimestre continuamos com a preparação técnica dos alunos e manutenção dos elementos visitados no primeiro trimestre, iniciando uma nova fase de trabalho com o universo das Máscaras Populares Brasileiras. Chamamos de “Construção de Figura Pessoal”. Consiste em apropriar-se de todo material vivenciado até então para um mergulho nas corporeidades das máscaras e figuras tradicionais brasileiras, como por exemplo, as existentes na brincadeira tradicional do Cavalo Marinho de Pernambucano. Após este processo iniciaremos a construção de figuras pessoais (novos personagens), utilizando-se, como ponto de partida, da estrutura de algumas figuras já existentes no Cavalo Marinho. Mais tarde, trabalhamos a relação entre estas figuras e a construção de pequenas cenas para estudo.

Como trabalhamos:

1-Conscientização Corporal - Através da Técnica Klauss Vianna e Técnicas de Dança Clássica e Contemporânea, buscamos ampliar o auto-conhecimento corporal de cada aluno.

2-Treinamento Físico – Exercícios e Jogos criados e sistematizados por nós (Cia. Mundu Rodá) ao longo de anos de pesquisa e experiência no meio teatral e de dança interligados aos princípios das Danças Tradicionais Brasileiras. Treinamentos já codificados ou adaptados de grupos teatrais, como nosso parceiro de pesquisa o LUME (Núcleo Interdisciplinar de Pesquisas Teatrais da UNICAMP), ou de mestres como Eugênio Barba, Gennadi Bogdanov e Jerzy Grotowski. Exercícios extraídos de técnicas do teatro-dança oriental (Butoh). Tanto em nível individual quanto coletivo, trabalhamos nestes exercícios a ética nas relações de trabalho e criação; dinâmica de grupo; trabalho colaborativo; trabalho com diferentes níveis de atenção simultaneamente; criação de diferentes qualidades de energia e administração do fluxo das mesmas no tempo, no corpo e no espaço; a voz em ação; impulsos como geradores de ações físicas; presença cênica; disponibilidade física; ritmo; precisão; foco; objetivo; condicionamento físico; entre outras.

3-Danças Tradicionais Brasileiras – Através de textos informativos, vídeos, fotos, depoimentos áudiovisuais de mestres e brincantes da cultura popular, e materiais recolhidos em pesquisa de campo, apresentamos aos alunos as origens das danças, o contexto sócio econômico e geográfico da região onde estão inseridas, os figurinos, a indumentária e os instrumentos tradicionais. 
Investigação minuciosa da mecânica da dança, do pulso e do ritmo, evoluções coreográficas e de suas diferentes qualidades de energia. Trabalhamos neste curso com o estudo do Cavalo Marinho da Zona da Mata Norte de Pernambuco, o Batuque Paulista-SP, o Samba de Parelha de Mussuca-SE e o Frevo-PE. Além de uma série de jogos teatrais elaborados por nós a partir destas danças. A principal dança trabalhada é o Cavalo Marinho pela complexidade da sua representação, pela sua riqueza estrutural e pelo conteúdo dramático representado pelas Figuras (personagens).

4-Musicalização – Treinamento vocal e passeio pelos ritmos, estudo dos cantos, poesias e instrumentos musicais típicos das Danças Tradicionais vistas no curso.

Sobre os Ministrantes

Juliana Pardo (Cia. Mundu Rodá de Teatro Físico e Dança) é atriz - pesquisadora, bailarina e a mais de 10 anos trabalha como arte-educadora. Formação em dança (1995) com Rainer Vianna, Marinês Calori e Regina Bellini, na Escola Klauss Vianna, em São Paulo. Artes Cênicas na ELT (Esc. Livre de Teatro/ coorden. Maria Thaís), onde ESTUDOU com Jen Pierre Kalestrianos, Antônio Araújo, entre outros. Mascára Neutra e Máscaras da Commédia Dell’Arte com Tiche Vianna e Maria Thaís. Estudo do trabalho de ator com Ricardo Pucceti, Carlos Simione, Raquel Scotti, Jesser de Souza e Renato Ferraccini, atores pesquisadores do LUME (Núcleo Interdisciplinar de Pesquisas Teatrais da UNICAMP – Campinas), Norberto Presta (Grupo Via. Rossi de Teatro Contemporâneo, Itália), entre outros. Biomecânica Teatral com Gennadi Bogdanov, Teatro Físico com Eugênio Barba e atores do grupo Odin Teatret, e com Viliam Docolomansky (Farm in the Cave – CZE). Formada no processo didático e criativo da Técnica Klauss Vianna, por Jussara Miller em Barão Geraldo (Campinas). Estudo de Técnicas de Dança Clássica e Contemporânea com Beth Bastos, Angel Vianna, Adriana Grechi, Tica Lemos, entre outros.  Técnica de Butoh com Tadashi Endo (Diretor do Butoh center Mamu e do Butoh Festival Mamu em Gottingen, Alemanha). Clown com a mestra canadense Sue Morrisom, Luis Carlos Vasconcelos e Cristiane Paoli Quito. Começou como arte -educadora no Curso de Teatro do Colégio Singular em Santo André (1997), desde então trabalhou em diferentes escolas. Ministra cursos no Teatro Escola Brincante desde 2005.
 Alício Amaral (Cia. Mundu Rodá de Teatro Físico e Dança) é ator-pesquisador, bailarino, músico e arte-educador. Formação musical (1996/1999) na Universidade Livre de Música (ULM-SP), onde estudou viola erudita com Henrrique Müller e integrou a Orquestra Sinfônica Juvenil do Estado de São Paulo (OSJESP) sob regência do Maestro João Maurício Galindo. Arte educador no Teatro Escola Brincante desde 2005. Estudo do trabalho do ator com Carlos Simione, Raquel Scotti, Ricardo Pucceti, Jesser de Souza e Naomi Silman, atores pesquisadores do LUME (Núcleo Interdisciplinar de Pesquisas Teatrais da UNICAMP – Campinas), Norberto Presta e Sabine Uitz (Grupo Via. Rossi de Teatro Contemporâneo, Itália), entre outros.  Biomecânica Teatral com Gennadi Bogdanov, Teatro Físico com Eugênio Barba e atores do grupo Odin Teatret, e com Viliam Docolomansky (Farm in the Cave – CZE). Estudo de Técnicas de Dança Clássica e Contemporânea com Beth Bastos, Neide Neves, Técnica de Teatro de Animação com o Grupo Sobrevento.  Butoh com Tadashi Endo (Diretor do Butoh center Mamu e do Butoh Festival Mamu em Gottingen, Alemanha). Clown com a mestra canadense Sue Morrisom e Luis Carlos Vasconcelos.